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O Restaurante como Empresa


Matéria para Revista Hotelaria
Edição 84 – Novembro de 2001
O Restaurante como Empresa
O sabor dos alimentos e qualidade do atendimento sempre foram e sempre serão observados, comentados e elogiados pelos clientes ,estes; indicarão para os amigos. O resultado positivo está diretamente ligado ao sucesso do Restaurante. Clientes fiéis, maitre e garçons gentis, comida deliciosa são as expectativas de todos os empreendedores e metas dos gerentes.
Hoje; restaurantes comerciais, sejam quais forem as suas características se deparam com vasta concorrência, despesas fixas elevadas, contenção de energia elétrica, falta de pessoal capacitado. Motivos suficientes para que os restaurantes sejam realmente administrados como uma empresa.
Os Restaurantes, apesar do título “Comercial Ltda.” ,deveriam também ser tratados como prestadoras de serviços, uma vez que o fator humano, relacionamento dos funcionários e clientes, estão diretamente ligados aos bons resultados da empresa.
Há poucos anos atrás, tempos de inflação, eram facilmente administrados: entrada no caixa e saída para pagamento das despesas. O que sobrava era o lucro. Isto ainda persiste, porém, o lucro ou o número de refeições poderia ser maior.
Nesta nova época, os chefes de cozinha não poderão impor as compras aos proprietários usando seu empirismo nem sempre preciso. Profissionais que não tenham interesse em controlar e monitorar a higiene na manipulação dos alimentos, ou mesmo chefes de bar que administram verdadeiros mercados paralelos, vendendo um whisky e oferecendo o próximo de graça, com a intenção de receber boas gorjetas: Estes comportamentos devem ser rapidamente mudados. Confronto de comandas x caixa x estoque não são novidades, mas estes desperdícios não serão detectados em um restaurante que não tenha interesse em tratar o gerenciamento e administração com verdadeira seriedade.
Contratação, treinamento, reciclagem e aprendizado da brigada de trabalho são necessários como em qualquer outra empresa de sucesso.
O serviço e atendimento dos garçons atingiu a modernidade (formatação contemporânea) sem permitir displicência . Os conhecimentos clássicos ainda devem ser 100% aproveitados quando se trata do um público sofisticado. As adaptações desta modernidade foram gradativas e contamos hoje com atitudes permissíveis entre garçons e clientes - que antes eram impróprias - sem perder a elegância e o mérito do atendimento clássico.
É comum observar uma contratação de garçom de emergência ou garçons (extras) que trabalham apenas aos finais de semana. Enquanto consultora, oriento para não criticá-los por apresentar um desastroso resultado ao final do turno. Um profissional experiente poderá até ter um médio desempenho. Estes são erroneamente jogados no salão no mesmo dia, sem qualquer investimento em treinamento. Estes garçons iniciam as atividades sabendo apenas onde ficam o salão, sua praça, o caixa e a boqueta de saída da cozinha; e se esforçam para decorar rapidamente o cardápio. A empresa que economizar em treinamento e viver em constantes situações de emergência terá resultados negativos.
Imagine as seguintes situações e o péssimo resultado de uma rápida contratação: Um garçom atende 5 ou 6 mesas, um total de 18 clientes simultaneamente, estes estão vindo pela primeira vez ao restaurante e foram muito bem recomendado pelos seus amigos. O garçom não tem conhecimento total do cardápio, e nem integração com a equipe, não sabe responder aos clientes detalhes simples das guarnições, ou mesmo se é possível dividir um prato que já vem pronto da cozinha, ou mesmo se a marca da cerveja que está no cardápio não é comprada há dias e tem em estoque apenas outra marca que não consta no cardápio. Um destes clientes quer saber se pode ser servido a salada ¨x ¨sem o tempero ¨y¨ , outro pergunta se há suco de abacaxi. O garçom não sabe, além disso, está tão aflito que se atrapalha ao anotar o pedido e comanda dois pratos errados: Quais serão os resultados? Estes clientes retornarão, irão recomendar novos clientes?
Um pouco pior do que isto são os restaurantes que não investem em desenvolver um receituário preciso dos pratos do cardápio para padronizar e ter fidelidade no sabor, porcionamento e apresentação. Este procedimento é sempre mal visto pelo chefe de cozinha que tem como trunfo seu emprego garantido. Cabe definitivamente ao gerente, proprietário, e/ou assessor tratar este assunto como mais uma meta de qualidade.
Os equipamentos de armazenamento, cozinha, bar e café deverão em qualidade e quantidade atender às necessidades de produção ,dando eficiência na confecção e conservação dos alimentos e bebidas e refletir em rapidez de atendimento. O ideal é ter apenas equipamentos em aço inoxidável Aisi 304 liga 18/8 (18% de cromo e 8% de níquel), com espessura de 1,2 mm (#18) e, em alguns casos (área de lavagem de panelas e açougue chapa com 1,5 mm (#16) para maior durabilidade. Existe aço inox de qualidade inferior que pode enferrujar, espessuras inferiores que podem amassar, assim como outros materiais que comprometerão a durabilidade de seu patrimônio. Direcione as suas compras à real necessidade e verba. Tenha cuidado ao comprar: Equipamentos que atendam a velocidade da sua necessidade de produção dos alimentos sem causar problemas operacionais, Produtos de qualidade inferior poderão ter manutenção permanente, substituição com pouco tempo de uso e risco de contaminação pela dificuldade de higienizar.
O dimensionamento de equipamentos e utensílios deverão ser calculados seriamente para não comprometer o bom funcionamento do estabelecimento.
Deverão partir de 5 tópicos que se relacionam entre si:
1. Tipo de cardápio.
2. O número de refeições pretendida no horário de pico.
3. Período de estoque de alimentos e bebidas (fornecimento).
4. Tipo de serviço
5. Área física disponível.
Com anos de experiência ainda detecto restaurantes que não fazem inventário de utensílios para programar a reposição; causando dificuldades operacionais, lentidão no atendimento, constrangimento dos garçons e irritação dos clientes. Pelo mesmo motivo, os restaurantes com serviço de buffet livre devem ter excesso de pratos, mínimo de três unidades por pessoa, sabendo que saladas e sobremesas não devem ser servidos em pratos de louça quente que acabaram de sair da máquina de lavar.
Inventariar não é novidade, mas a única maneira de confrontar compras x vendas x estoque de alimentos & bebidas é estar mais próximo da realidade, evitando grandes erros.
Devemos mencionar que a palavra chave é:
“Vamos evitar os erros”
Os problemas mencionados são inadmissíveis em tempos atuais; contamos com equipamentos de cozinha de ultima geração, tecnologia de programas para controle , informatização para controladoria e agilização operacional, produtos de limpeza e higiene específico para o ramo de alimentação e escolas profissionalizantes como A Escola de Hotelaria e Turismo de São Paulo, que habilita os alunos a realidade do dia a dia de um profissional.
Levante o perfil do restaurante para saber como anda a sua empresa:
• Tem controle dos desperdícios?
• Monitora o tempo de vida dos alimentos (alimentos sadios para o consumo e com qualidade organolépticas)?
• Os funcionários têm conhecimento de Higiene pessoal e Higiene na manipulação de alimentos?
• Os alimentos são pré-preparados dentro da realidade das vendas?
• Inviste em tecnologia?
• O Trabalho é executado em linha de produção?
• Há constantes treinamentos operacionais?
• Estuda os fluxos diversos de controle e operação?
• Estuda os percursos operacionais?
• Negocia com fornecedores?
• Demite funcionários quando necessário?
• Escuta as dificuldades e necessidades dos funcionários?
• Os equipamentos têm manutenção preventiva?
• Fez alguma mudança ou reforma nos últimos três anos?
• Faz constante pesquisa de mercado com seus maiores concorrentes?
• Faz pesquisa com seus clientes?

Ao implantar não arrisque, pois uma reforma no inicio das atividades será desastrosa. Para uma boa reformulação; esteja aberto a novos planos de trabalho.
Os assuntos abordados são sensíveis, e merecem uma boa avaliação; específica para cada restaurante e situação.
O envolvimento com a rotina impede proprietários e gerentes de detectar vários detalhes importantes que farão e manterão o sucesso.
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